Este é simplesmente o meu espaço... onde irei publicar pequenas reflexões sobre diversos temas.. e como é lógico são bem vindas todas as participações...

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Vou partilhar a minha experiência matinal num dia de greve geral...

 

Levantei-me às 05.50 para apanhar o comboio das 06.25 Porto - Braga que foi decretado pelo tribunal arbitral como serviço mínimo. Cheguei à estação de S. Bento às 06.18 e qual o meu espanto que estava 5 carros da policia junto da estação e pensei "confusão".. mas não.. à porta da estação estava apenas um piquete de greve com cerca de 10 indivíduos com coletes vermelhos, que garantiam que a estação estivesse completamente fechada impedindo quem quer fosse de entrar... mas onde está a polícia?

 

A incrível e inesperada resposta: a polícia (mais de 20) estavam dentro da estação (que estava fechada ao público)!!

 

Cá fora ia crescendo o numero de utentes que se tinham deslocado, como eu, para a estação de S. Bento de madrugado para poderem ir trabalhar e poderem deslocar de comboio nos horários decretados como serviços mínimos... As pessoas iam chegando e a contestação contra as pessoas que impediam as outras de trabalharem ia crescendo.. De repente um dos grevistas veio tentar explicar porque razão impediam que estação estivesse fechada e porque razão eles achavam que tinham o direito de impedir os outros de gozar do direito ou da obrigação de ir trabalhar... e entre outras frases dizia "porque acho que os serviços mínimos são injusto"... e eu perguntei-lhe: "!diga-me, e se agora, alguém mais exaltado lhe atirasse com um pedra e acertasse na sua cabeça, você fosse para o hospital (a pé porque não há transportes e as ambulâncias também não têm serviços mínimos porque é injusto) chegasse ao hospital (de S. António que até é perto) 30 minutos depois e não tivesse ninguém para o socorrer porque também é injusto haver serviços mínimos e você acabasse por morrer de falta de cuidados médicos, achava justo não haver serviços mínimos? O individuo do sindicato revirou-se os olhos e partiu para a violência física e verbal directa comigo.. mas teve azar... as outras pessoas acabaram por reagir e acabou tudo com o pessoal do sindicato a recuar e a dizer "venham 25 como você que eu aguento".. mas de longe!!! E sabem onde estava a polícia? dentro da estação sem reagir..

 

Fui obrigado a ligar para o 112 a fazer queixa de que tinha sido agredido (ou quase) por um piquete de greve à porta da estação de S. Bento e que a polícia se encontrava a menos de 20cm mas por trás da porta da estação e que nada tinha feito.. minutos depois saíram (os polícias) de dentro da estação e ligaram-me da PSP a dizer que os colegas já se encontravam no exterior... Acabei por me deslocar junto deles e explicar a minha indignação.. mas não adiantou nada.. acabei por vir para Braga de carro... Isto é simplesmente inaceitável que meia dúzia de funcionários dos sindicatos, que neste dia até ganham horas extraordinárias, impeçam que uma ordem do tribunal seja respeitada e que a polícia nada faça para repor a ordem?

 

Em que raio de sociedade vivemos? Se uns tem e querem que seja respeitado o direito à greves, essas mesmas pessoas têm de aceitar que outros tenham e queiram que seja respeitado o direito à não greve...

publicado por cmpphp às 08:45

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